TransportePublicado: 14 de jan. de 2026, 07:15Atualizado: 14 de jan. de 2026, 07:16

Mitos e verdades da segurança viária: o que realmente reduz riscos na rotina urbana

Crenças comuns do trânsito da cidade colocadas à prova no uso diário

Ilustração de capa: Mitos e verdades da segurança viária: o que realmente reduz riscos na rotina urbana (Transporte)
Por Fernanda Ribeiro
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No trânsito da cidade, muita gente age no automático. Repete hábitos porque “sempre foi assim” ou porque ouviu alguém dizer que funciona. O problema é que alguns desses costumes aumentam o risco sem que a gente perceba.

Entender o que é mito e o que é verdade na segurança viária urbana ajuda a tomar decisões mais conscientes, seja a pé, de bicicleta, de moto, de carro ou no transporte público.

Mito: baixa velocidade sempre significa baixo risco

Reduzir a velocidade é essencial, mas não resolve tudo. Em áreas urbanas, muitos sinistros acontecem a velocidades relativamente baixas, especialmente em cruzamentos, conversões e manobras de estacionamento.

O risco aumenta quando a atenção cai. Andar devagar olhando o celular, por exemplo, pode ser mais perigoso do que manter uma velocidade compatível com a via e atenção total ao entorno.

Verdade: cruzamentos concentram mais perigo que avenidas longas

Mesmo avenidas movimentadas tendem a ser previsíveis. Já os cruzamentos urbanos reúnem múltiplos fluxos, pedestres, ciclistas e decisões rápidas.

Alguns cuidados simples reduzem bastante o risco:

- Reduzir antes da faixa, mesmo com sinal verde - Evitar arrancadas rápidas após o semáforo - Procurar contato visual com quem vai cruzar a via

Mito: conhecer bem o trajeto elimina surpresas

A familiaridade pode virar inimiga da segurança. Quem faz o mesmo caminho todos os dias tende a antecipar situações que nem sempre se repetem.

Obra nova, ponto de ônibus deslocado, mudança no tempo do semáforo ou aumento de fluxo em certos horários são exemplos comuns. A atenção cai justamente onde a pessoa acha que “já sabe tudo”.

Verdade: previsibilidade vale mais do que pressa

No trânsito urbano, ser previsível reduz conflitos. Sinalizar antes de mudar de faixa, manter trajetória constante e respeitar a ordem de passagem ajudam os outros a reagir melhor.

Isso vale para todos os modais:

- Pedestres que atravessam em ritmo constante - Ciclistas que evitam zigue-zague entre carros - Motoristas que não mudam de ideia no meio da manobra

Mito: equipamentos de segurança compensam distração

Cinto, capacete, airbag e freios modernos salvam vidas, mas não substituem atenção. A maioria dos incidentes urbanos envolve distração breve: uma notificação no celular, um ajuste no painel, uma conversa fora de hora.

Tecnologia ajuda, mas não corrige decisões mal tomadas em segundos críticos.

Verdade: o entorno diz muito sobre o risco da via

Observar o ambiente é uma das formas mais eficientes de reduzir riscos. Escolas, bares, feiras, paradas de ônibus e ciclovias indicam maior circulação imprevisível.

A leitura rápida do entorno permite ajustar comportamento antes do problema aparecer:

- Soltar o acelerador - Aumentar distância lateral - Preparar-se para uma parada inesperada

Mito: segurança viária depende só de fiscalização

Fiscalização é importante, mas o dia a dia urbano é feito de microdecisões. A maioria delas acontece longe de agentes ou câmeras.

Atitudes simples, repetidas todos os dias, costumam ter mais impacto real na redução de riscos do que o medo da multa.

Verdade: segurança urbana é construída em pequenos hábitos

Olhar duas vezes antes de cruzar, respeitar o tempo do outro modal, escolher o horário mais tranquilo e aceitar perder alguns segundos são práticas que se acumulam.

Na cidade, segurança viária não é um grande gesto heroico. É constância, atenção e escolhas menos impulsivas ao longo do caminho.

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