O óleo do motor ainda é um dos itens mais decisivos para a durabilidade do carro. Ele lubrifica, limpa, refrigera e protege. Quando a escolha é errada ou a troca atrasa, o prejuízo não aparece na hora — mas chega.
Com híbridos ganhando espaço e ciclos de uso diferentes, algumas regras mudaram. Outras continuam as mesmas. Vale separar o que é essencial do que virou mito.
Viscosidade: o que os números realmente dizem
Os códigos como 5W-30 ou 0W-20 indicam como o óleo se comporta a frio e a quente.
- O número antes do “W” (winter) mostra a fluidez a frio. Quanto menor, melhor para partidas em temperaturas baixas. - O número depois indica a viscosidade em temperatura de trabalho. Ele precisa combinar com o projeto do motor.
Usar uma viscosidade mais grossa “para proteger mais” costuma dar o efeito oposto: dificulta a lubrificação rápida e aumenta consumo. Em motores modernos — especialmente os de híbridos — seguir exatamente a especificação do manual é regra básica.
Intervalos de troca: tempo, km e uso real
A quilometragem do painel é só parte da história. O uso manda mais do que o número.
- Trânsito pesado, trajetos curtos e muitas partidas a frio degradam o óleo mais rápido. - Híbridos podem rodar longos períodos com o motor desligado, mas também ligam e desligam com frequência. Isso conta como uso severo.
Trocar “um pouco antes” do limite recomendado costuma ser mais saudável do que esticar demais. Tempo também importa: óleo envelhece mesmo com o carro parado.
Filtro de óleo: pequeno, barato e decisivo
O filtro retém partículas que o óleo carrega ao longo do uso. Se ele satura, o sistema pode entrar em bypass e circular óleo sujo.
Boas práticas simples: - Trocar o filtro em toda troca de óleo. - Evitar filtros genéricos sem especificação clara. - Conferir se o anel de vedação foi substituído e lubrificado na montagem.
Economizar no filtro costuma sair caro porque o desgaste interno não faz barulho imediato.
Sintético, semissintético ou mineral: quando faz diferença
Motores atuais foram projetados para óleos sintéticos, mais estáveis e resistentes ao calor.
- Mineral: comum em projetos antigos; troca mais frequente. - Semissintético: intermediário, hoje menos comum. - Sintético: padrão para motores modernos, turbo e híbridos.
Não é “luxo”. É compatibilidade. Usar óleo inferior ao especificado acelera a degradação e pode afetar consumo e emissões.
Mitos que ainda confundem
Algumas ideias persistem nas oficinas e grupos de conversa:
- “Óleo escuro está ruim”: escurecer é sinal de que está limpando. - “Pode misturar viscosidades”: só em emergência, e mesmo assim não é o ideal. - “Carro pouco rodado não precisa trocar”: precisa, por tempo. - “Quanto mais grosso, melhor”: não em motores modernos.
Entender o porquê evita decisões por hábito.
Erros comuns que encurtam a vida do motor
Alguns deslizes são repetidos sem perceber:
- Rodar abaixo do nível mínimo ou acima do máximo. - Ignorar a especificação de norma (API, ACEA) além da viscosidade. - Apertar demais o bujão ou o filtro, danificando roscas. - Confiar só no aviso do painel e ignorar o plano de manutenção.
Em tempos de eletrificação, o motor a combustão virou coadjuvante em muitos carros — mas continua precisando de cuidados de protagonista. O óleo certo, no tempo certo, segue sendo uma das decisões mais simples e mais importantes.
