Petróleo e GásPublicado: 5 de jan. de 2026, 19:16Atualizado: 5 de jan. de 2026, 19:16

Mitos e verdades: sazonalidade e estoques — por que os preços dos combustíveis oscilam no Brasil

O que realmente pesa no sobe e desce da gasolina, do diesel e do GLP ao longo do ano

Ilustração de capa: Mitos e verdades: sazonalidade e estoques — por que os preços dos combustíveis oscilam no Brasil (Petróleo e Gás)
Por Fernanda Ribeiro
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Oscilações de preço nos combustíveis costumam gerar explicações rápidas: “é a época do ano”, “faltou produto”, “sobrou estoque”. Algumas fazem sentido; outras simplificam demais um sistema que é interligado e sensível.

No Brasil, sazonalidade e estoques influenciam o mercado, mas raramente atuam sozinhos. Abaixo, mitos e verdades para ler esses movimentos com mais clareza.

Verdade: a sazonalidade muda a demanda — e isso aparece nos preços

Há períodos previsíveis de maior consumo. Feriados prolongados e férias elevam a demanda por gasolina; safras e escoamento agrícola pressionam o diesel; o inverno costuma aumentar o consumo de GLP. Quando a demanda sobe mais rápido do que a reposição, os preços tendem a reagir.

No Brasil, esses efeitos são amplificados por distâncias longas, diferenças regionais e dependência parcial de importações em determinados produtos.

Mito: sazonalidade explica tudo sozinha

Mesmo em períodos “clássicos” de alta demanda, os preços podem ficar estáveis — ou até cair. Isso acontece quando:

- Há estoques confortáveis no sistema; - O refino opera com boa disponibilidade; - Importações chegam em ritmo adequado; - Custos logísticos estão sob controle.

Ou seja, a época do ano é uma peça do quebra-cabeça, não o quadro completo.

Verdade: estoques funcionam como amortecedor de curto prazo

Níveis de estoque mais elevados ajudam a suavizar picos de consumo ou atrasos logísticos. Quando há produto disponível em bases e terminais, o mercado ganha tempo para se ajustar sem repassar variações abruptas.

No Brasil, estoques são distribuídos entre refinarias, bases de distribuição e pontos de revenda, o que cria respostas diferentes por região.

Mito: estoque alto garante preço baixo

Estoques cheios não significam, automaticamente, preços menores. Custos de reposição, câmbio, frete e impostos continuam influenciando o valor final. Se o produto armazenado foi adquirido a custos mais altos, isso tende a aparecer no preço, mesmo com tanques cheios.

Como ler estoques sem cair em atalhos

Alguns pontos ajudam a interpretar melhor:

- Estoque é volume e também timing de reposição; - Importações dependem de janelas logísticas e preços internacionais; - Diferenças regionais podem gerar cenários opostos no mesmo período.

Verdade: logística e refino modulam o efeito da sazonalidade

Paradas programadas de manutenção, restrições em dutos, cabotagem e transporte rodoviário influenciam a velocidade com que o produto chega ao mercado. Em épocas de maior consumo, qualquer gargalo logístico pesa mais.

No Brasil, a combinação de refino local com importações torna a coordenação logística um fator central para evitar oscilações bruscas.

Mito: preços mudam apenas quando falta produto

Os ajustes de preço também refletem expectativas. Se o mercado antecipa aumento de demanda ou reposição mais cara, os valores podem se mover antes de uma escassez concreta. Da mesma forma, sinais de demanda mais fraca podem aliviar preços mesmo sem excesso físico de produto.

Verdade: ler o movimento exige olhar o conjunto

Sazonalidade e estoques explicam parte relevante das oscilações, mas o quadro completo inclui custos internacionais, câmbio, logística e políticas de mistura obrigatória. No Brasil, entender preços é menos sobre uma causa isolada e mais sobre como várias engrenagens giram ao mesmo tempo.

Separar mitos de verdades ajuda a acompanhar o mercado com menos ruído — e com mais contexto.

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