Petróleo e GásPublicado: 19 de jan. de 2026, 04:15Atualizado: 19 de jan. de 2026, 04:16

Paridade de importação no chão da fábrica: quando ajuda, quando aperta e quando não resolve

Um comparativo direto para entender o papel da paridade no preço dos combustíveis no Brasil

Ilustração de capa: Paridade de importação no chão da fábrica: quando ajuda, quando aperta e quando não resolve (Petróleo e Gás)
Por Bruno A.
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A paridade de importação vira manchete sempre que o preço do combustível sobe — ou quando alguém promete que ele poderia cair mais. O termo parece técnico, mas a ideia é simples: comparar quanto custa produzir aqui com quanto custaria trazer de fora.

No dia a dia do setor, a paridade não é um dogma nem um vilão automático. É uma referência. Funciona bem em alguns cenários, falha em outros e, sozinha, não dá conta da complexidade do mercado brasileiro.

O que é paridade de importação sem economês

Paridade de importação é uma conta hipotética: se o Brasil precisasse importar gasolina, diesel ou GLP hoje, quanto isso custaria ao chegar aqui? Entra no cálculo o preço internacional do derivado, o dólar, o frete marítimo, o seguro e os custos para internalizar o produto.

Essa conta vira uma régua. Se o preço doméstico fica muito abaixo dela por muito tempo, importar deixa de fazer sentido. Se fica muito acima, abre espaço para competição externa.

Para que essa régua realmente serve

Na prática, a paridade ajuda a responder três perguntas bem objetivas:

- Vale a pena importar combustível agora? - O preço interno está competitivo em relação ao mercado internacional? - Existe risco de desabastecimento se ninguém quiser trazer produto de fora?

Para quem opera refinaria, terminal ou trading, isso é básico. Para o consumidor, a paridade não define o preço na bomba, mas ajuda a entender por que ele encontra um teto — e, às vezes, um piso.

Vantagens quando o mercado funciona

Em condições normais, a paridade traz alguns efeitos positivos:

- Dá previsibilidade para importadores e distribuidores. - Evita que o mercado interno se isole do que acontece lá fora. - Reduz o risco de faltar combustível em períodos de alta demanda.

Num país continental como o Brasil, que ainda importa parte do diesel e do GLP, essa referência ajuda a manter o fluxo funcionando.

Onde a paridade mostra seus limites

A conta da paridade não enxerga tudo. Ela não considera, por exemplo:

- Diferenças regionais de logística interna. - Capacidade ociosa ou gargalos de refino. - Políticas de estoque e estratégias comerciais das empresas.

Além disso, o preço internacional oscila rápido. Replicar cada variação no mercado doméstico pode gerar ruído, especialmente para quem depende do combustível todo dia para trabalhar.

Quando faz sentido seguir a paridade mais de perto

Há momentos em que a paridade vira quase uma âncora:

- Períodos de forte dependência de importação. - Crises internacionais que afetam oferta global. - Picos sazonais de consumo, como safra agrícola ou inverno mais rigoroso.

Nessas situações, ignorar completamente a referência costuma cobrar um preço depois, seja em falta de produto ou em ajustes bruscos.

Quando ela não resolve sozinha

A paridade não substitui política de refino, gestão de estoques ou investimentos em infraestrutura. Também não responde a questões como:

- Por que dois estados vizinhos têm preços tão diferentes? - Por que o diesel pesa mais no frete do que a gasolina no bolso urbano?

Essas respostas estão mais ligadas a impostos, logística e competição local do que à paridade em si.

Um jeito prático de olhar para o tema

No cotidiano, a paridade funciona melhor como termômetro do que como receita. Ela indica a temperatura do mercado, mas não diz qual remédio tomar.

Quando o debate sai do tudo ou nada — "tem que seguir" versus "tem que abandonar" — fica mais fácil entender o que realmente está em jogo: garantir abastecimento, reduzir sobressaltos e lidar com um país que produz muito petróleo, mas ainda depende de decisões bem amarradas para transformar isso em combustível acessível.

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