Energia RenovávelPublicado: 14 de jan. de 2026, 06:15Atualizado: 14 de jan. de 2026, 06:16

Gestão de demanda no horário de ponta: como funciona e por que importa na transição energética

Conceitos práticos, impactos reais e decisões do dia a dia no Brasil

Ilustração de capa: Gestão de demanda no horário de ponta: como funciona e por que importa na transição energética (Energia Renovável)
Por Mariana Costa
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A eletricidade não é consumida de forma constante ao longo do dia. Há momentos em que todo mundo liga tudo ao mesmo tempo — e é aí que o sistema sente. No Brasil, o horário de ponta concentra esse estresse e torna a gestão de demanda uma peça-chave da transição energética.

Falar de gestão de demanda não é só falar de conta de luz. É falar de como evitar usinas caras e poluentes, integrar renováveis intermitentes e usar melhor o que já existe.

O que é gestão de demanda (e o que não é)

Gestão de demanda é o conjunto de práticas que ajusta quando e quanto de energia é consumida, especialmente nos períodos de maior carga do sistema. Não se trata apenas de reduzir consumo, mas de deslocá-lo para horários mais favoráveis.

Ela inclui desde decisões simples — como programar equipamentos — até soluções técnicas, como automação e armazenamento. O foco é aliviar o pico sem comprometer a operação.

Entendendo o horário de ponta no Brasil

O horário de ponta varia por distribuidora, mas costuma ocorrer no início da noite, quando iluminação, climatização e processos industriais coincidem. Nesse período:

- A energia é mais cara para o sistema - Entram em operação fontes menos eficientes - A margem de segurança da rede diminui

Em anos de hidrologia desfavorável, o impacto é ainda maior, pois a ponta pode acionar termelétricas.

Por que a ponta pesa na transição energética

A expansão de solar e eólica muda o desenho do sistema. A geração solar cai justamente no início da noite, enquanto a demanda sobe. Sem gestão de demanda, o resultado é mais despacho térmico.

Reduzir ou deslocar consumo na ponta ajuda a:

- Diminuir emissões associadas à geração de pico - Evitar investimentos pesados em infraestrutura ociosa - Aumentar o aproveitamento das renováveis existentes

Estratégias práticas de gestão de demanda

Há caminhos de diferentes níveis de complexidade. Alguns exemplos comuns no Brasil:

- Reprogramar cargas flexíveis (bombas, compressores, aquecimento) - Escalonar partidas de equipamentos - Ajustar processos para fora da ponta - Usar automação para controle por horário

Mesmo mudanças pequenas, quando constantes, aliviam o sistema nos momentos críticos.

O papel do armazenamento e da geração distribuída

Baterias e sistemas híbridos permitem guardar energia fora da ponta e usá-la quando o sistema está mais pressionado. Em conjunto com solar, ajudam a suavizar o perfil de consumo.

Não é solução universal, mas faz sentido onde a ponta é recorrente e previsível.

Impactos para consumidores, empresas e rede

Para consumidores conectados em média e alta tensão, a ponta influencia tarifas e contratos. Para a rede, define investimentos e riscos operacionais.

Na prática, uma gestão de demanda bem feita pode:

- Reduzir picos de carga local - Melhorar a qualidade do fornecimento - Facilitar a integração de novas fontes renováveis

Gestão de demanda como hábito, não projeto

Mais do que uma ação pontual, gerir demanda é criar rotina de observação e ajuste. Medir, entender horários críticos e testar mudanças simples costuma trazer aprendizados rápidos.

Na transição energética brasileira, a ponta deixa de ser apenas um problema técnico e passa a ser um espaço de decisão. Quem entende esse jogo consome melhor — e ajuda o sistema a evoluir com menos atrito.

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