O cinto de segurança e os airbags não são detalhes técnicos: são equipamentos que trabalham juntos para reduzir impactos no corpo. No uso cotidiano, porém, hábitos errados e mitos persistem — e fazem diferença justamente quando algo dá errado.
Prevenção também é rotina. Ajustar o cinto, sentar corretamente e respeitar a lógica dos airbags são atitudes rápidas, repetidas todo dia, que diminuem riscos antes mesmo de o carro sair da vaga.
Hábito 1: usar o cinto sempre — e do jeito certo
O cinto funciona quando está bem posicionado. Torções, folgas ou uso parcial comprometem a retenção do corpo no impacto.
Pontos-chave que valem para todos os ocupantes: - Faixa inferior sobre o quadril, nunca sobre o abdômen. - Faixa diagonal passando pelo meio do ombro e do peito, sem encostar no pescoço. - Nada de usar por baixo do braço ou atrás das costas.
No banco traseiro, o cinto é tão importante quanto na frente. Em colisões, passageiros soltos viram projéteis internos, aumentando o risco para todos.
Mito comum: “airbag substitui o cinto”
Airbag não é cinto. Ele foi projetado para complementar a retenção, não para agir sozinho. Sem o cinto, o corpo se desloca demais e encontra o airbag no momento errado, com força excessiva.
O resultado pode ser: - Lesões no rosto e no tórax. - Deslocamento incorreto do corpo, com risco de bater no volante, painel ou para-brisa.
Cinto ajustado mantém o ocupante na posição certa para o airbag cumprir sua função.
Hábito 2: manter distância segura do volante e do painel
Sentar muito perto “para enxergar melhor” é um erro frequente. Airbags frontais se abrem em frações de segundo e precisam de espaço para inflar e amortecer.
Boas referências práticas: - Distância mínima de cerca de 25 cm entre o peito e o volante. - Encosto relativamente ereto, evitando posição deitada. - Banco ajustado para alcançar pedais e volante sem esticar braços ou pernas.
Essa postura melhora o controle do veículo e reduz o impacto direto do airbag no corpo.
Atenção às mãos e aos braços
Dirigir com braços cruzados sobre o volante ou apoiados na porta aumenta o risco de fraturas em uma abertura de airbag lateral. Mantenha as mãos em posição estável e relaxada.
Mito comum: “no banco de trás, o risco é menor”
Colisões não escolhem banco. Sem cinto, quem vai atrás pode ser arremessado para frente, atingindo os ocupantes da frente com força significativa.
No uso diário, vale reforçar: - Todos os passageiros devem usar cinto, inclusive em trajetos curtos. - Crianças precisam de dispositivos adequados à altura e ao peso.
Hábito 3: respeitar o airbag — inclusive quando ele não aparece
Nem todo airbag é visível. Além do frontal, muitos carros têm bolsas laterais e de cortina. Isso muda como objetos e acessórios devem ser usados.
Cuidados simples que evitam problemas: - Evitar capas de banco incompatíveis com airbags laterais. - Não apoiar objetos rígidos no painel ou nas portas. - Não colocar os pés sobre o painel.
Esses detalhes interferem na abertura correta das bolsas e podem causar ferimentos evitáveis.
Mito comum: “trajeto curto não precisa de cuidado extra”
Grande parte dos acidentes acontece perto de casa, em rotas conhecidas. A falsa sensação de controle leva a relaxar hábitos básicos.
Cinto afivelado, postura correta e atenção aos ocupantes devem ser automáticos, do primeiro ao último quarteirão.
Ajustes rápidos antes de sair
Um checklist mental de poucos segundos ajuda a manter o padrão certo: - Banco e volante ajustados antes de ligar o carro. - Cinto afivelado e sem torções. - Passageiros conferidos, inclusive no banco traseiro.
Esses três hábitos — usar o cinto corretamente, manter distância segura e respeitar a área dos airbags — não exigem tecnologia nem tempo extra. Exigem constância. É assim que a prevenção entra no dia a dia e faz diferença quando mais importa.
