Queda acontece — principalmente no começo. Às vezes é um tombo bobo, em baixa velocidade, outras vezes um escorregão que assusta mais do que machuca.
Antes de sair rodando como se nada tivesse ocorrido, vale fazer uma checagem rápida e objetiva. Pequenos danos passam despercebidos e podem virar risco poucos quilômetros depois.
Seu corpo vem primeiro: pare e se observe
Antes de olhar a moto, olhe para você.
- Dor que aumenta com o tempo, tontura ou dificuldade de movimento pedem pausa. - Luvas, jaqueta e calça rasgadas indicam impacto mais forte do que pareceu. - Se houver qualquer dúvida, não pilote. A moto espera; o corpo, não.
Guidão, mesa e alinhamento geral
Com a moto desligada, fique em frente a ela.
- O guidão deve ficar reto quando a roda dianteira está reta. - Gire o guidão de um lado ao outro: o movimento precisa ser suave, sem travar. - Se a moto “puxa” para um lado ao empurrar, pode haver desalinhamento.
Queda parada costuma entortar guidão com facilidade, mesmo sem marcas evidentes.
Freios e manetes: resposta imediata
Aperte os manetes ainda parado.
- Manete de freio não deve encostar no punho. - A resposta precisa ser firme, sem afundar demais. - Pedal de freio traseiro não pode ficar torto ou raspando.
Olho em vazamentos
- Procure fluido escorrendo perto das pinças ou mangueiras. - Qualquer vazamento de freio é motivo para não rodar.
Rodas, pneus e suspensões
Aqui o risco é silencioso.
- Observe se há amassados no aro ou cortes no pneu. - Veja se a roda gira livre, sem “dançar” de lado. - Pressione a suspensão: ela deve subir e descer sem estalos ou travamentos.
Suspensão vazando óleo ou pneu danificado não combina com “só até em casa”.
Comandos e pedaleiras no lugar certo
Queda costuma atingir o que fica mais para fora.
- Pedaleiras devem abrir e recolher normalmente. - Alavanca de câmbio e pedal de freio não podem estar tortos a ponto de atrapalhar o uso. - Acelerador precisa retornar sozinho ao soltar a mão.
Comando travando é convite para susto no primeiro cruzamento.
Motor, escapamento e ruídos estranhos
Ligue a moto e escute.
- Barulho novo, metálico ou vibração diferente merecem atenção. - Veja se há cheiro forte de combustível ou fumaça fora do normal. - Escapamento muito torto pode encostar na balança ou em outras peças.
Se algo “não soa certo”, confie na intuição e pare.
Luzes, setas e espelhos
Ser visto também é segurança.
- Teste farol, lanterna, luz de freio e setas. - Espelhos devem permitir ajuste e não girar sozinhos.
Queda leve quebra lâmpada com facilidade — e rodar invisível aumenta o risco.
Na dúvida, não pilote
Para quem está começando, a regra é simples: sentiu insegurança, não siga.
Empurrar a moto, pedir ajuda ou chamar transporte sai mais barato do que lidar com outra queda causada por algo que passou despercebido. Segurança, depois de um tombo, começa na decisão de checar tudo com calma.
