Quem começa a andar de moto costuma ouvir que “o capacete é obrigatório” — e para por aí. Na prática, a segurança do motociclista depende de um conjunto de equipamentos de proteção (EPI) que trabalham juntos para reduzir riscos comuns do dia a dia.
Escolher EPI não precisa ser complicado nem técnico demais. O mais importante é entender a função de cada item, como ele deve vestir no corpo e em quais situações faz diferença real, especialmente para quem ainda está ganhando experiência.
EPI na moto: proteção não é só para quedas graves
Um erro comum entre iniciantes é pensar que EPI só importa em altas velocidades ou viagens longas. No uso urbano, os riscos mais frequentes envolvem:
- Quedas em baixa velocidade - Escorregões em piso molhado ou sujo - Impactos contra o solo, meio-fio ou partes da própria moto - Atrito com o asfalto
Os equipamentos de proteção são projetados justamente para esses cenários mais comuns, ajudando a absorver impacto, reduzir abrasão e proteger articulações.
Jaqueta e calça: proteção contra impacto e abrasão
Roupas específicas para moto não são apenas “mais grossas”. Elas combinam materiais resistentes à abrasão com proteções internas nos pontos mais vulneráveis.
Ao escolher, observe:
- Presença de proteções nos ombros, cotovelos e joelhos - Tecido resistente (poliamida, poliéster reforçado ou couro) - Ajuste firme ao corpo, sem sobras excessivas - Ventilação adequada para o clima em que você pilota
Para iniciantes, modelos mais simples, porém próprios para moto, já oferecem um nível de segurança muito superior ao de roupas comuns.
Ajuste importa mais do que aparência
Proteções só funcionam se estiverem na posição correta. Uma jaqueta larga demais pode deslocar as proteções no impacto, reduzindo a eficácia.
Luvas: controle da moto e proteção das mãos
As mãos costumam ser uma das primeiras partes do corpo a tocar o chão em uma queda. Além disso, luvas melhoram o controle do guidão.
Na escolha das luvas, priorize:
- Proteções nos nós dos dedos e na palma - Boa sensibilidade nos comandos - Ajuste firme no punho - Material que ofereça aderência mesmo com chuva leve
Evite luvas muito folgadas ou rígidas demais, que podem atrapalhar a pilotagem.
Botas e calçados: estabilidade e proteção dos pés
Tênis comuns oferecem pouca proteção contra torção, impacto e abrasão. Para quem está começando, um calçado adequado ajuda tanto na segurança quanto na confiança ao parar e apoiar a moto.
Características importantes:
- Solado antiderrapante - Proteção no tornozelo - Estrutura firme no calcanhar - Fechamento seguro (cadastro, zíper ou velcro)
Não é necessário começar com botas de uso extremo, mas o calçado deve ser específico para pilotagem.
Protetores extras: quando fazem sentido para iniciantes
Alguns EPIs adicionais podem ser considerados conforme o tipo de uso:
- Protetor de coluna, integrado ou avulso - Joelheiras ou cotoveleiras, em trajetos curtos ou uso urbano - Segunda pele térmica ou impermeável para conforto e concentração
O conforto influencia diretamente a atenção do piloto. Quanto menos distrações, maior a segurança.
Como montar seu kit de EPI aos poucos, sem descuidar da segurança
Para quem está começando, faz sentido priorizar:
1. Capacete bem ajustado e dentro da validade 2. Luvas próprias para moto 3. Calçado com proteção mínima no tornozelo 4. Jaqueta com proteções
Com o tempo e conforme o uso da moto aumenta, o kit pode evoluir. O importante é entender que cada peça tem função direta na redução de riscos — e que segurança começa antes mesmo de girar a chave.
