Paridade de importação virou expressão comum em conversas sobre combustível, mas ainda soa abstrata. Para alguns, é sinônimo de aumento automático; para outros, uma regra distante que não conversa com a realidade brasileira.
Na prática, o conceito existe para orientar decisões num mercado que mistura produção local, importação, impostos e logística. Entender onde estão os mitos ajuda a ler o preço com menos ruído.
O que a paridade de importação realmente mede
Paridade de importação é uma referência de custo. Ela estima quanto custaria trazer um combustível do exterior até o Brasil, considerando itens como:
- preço internacional do derivado (gasolina, diesel, GLP); - câmbio; - frete marítimo e seguro; - taxas portuárias e logística interna.
Não é um preço “imposto” ao mercado. É um parâmetro para comparar se vale mais a pena produzir e vender internamente ou importar para atender a demanda.
Mito: paridade significa copiar o preço internacional
Esse é um dos equívocos mais comuns. Paridade não obriga ninguém a vender exatamente pelo valor lá de fora. Ela serve como baliza.
No Brasil, o preço final depende de uma soma de decisões e custos locais:
- capacidade de refino e custo operacional das refinarias; - impostos federais e estaduais; - margens de distribuição e revenda; - mistura obrigatória de biocombustíveis.
Mesmo com o petróleo em alta ou em queda no exterior, o repasse não é automático nem uniforme.
Verdade: a paridade influencia o abastecimento
Quando o preço interno fica muito abaixo da referência de importação por longos períodos, importar perde atratividade. Isso pode reduzir a oferta disponível, especialmente em regiões mais dependentes de produto importado.
Por outro lado, quando o preço interno está próximo ou acima da paridade, importadores privados tendem a atuar mais. O resultado costuma ser um mercado mais abastecido e com mais opções de fornecimento.
Mito: paridade só importa para quem importa
Mesmo quem nunca ouviu falar em importação sente o efeito indireto. A referência influencia decisões de produção, de venda e de investimento em logística.
No dia a dia, isso aparece de formas simples:
- diferenças de preço entre regiões do país; - maior sensibilidade do diesel a variações externas; - momentos em que os reajustes demoram ou acontecem de uma vez.
Verdade: no Brasil, a paridade convive com escolhas políticas e técnicas
O mercado brasileiro não é neutro. Há decisões sobre estoques, impostos, misturas e ritmo de reajustes que moldam o preço final.
A paridade não elimina essas escolhas. Ela convive com elas. Em certos períodos, o preço fica mais alinhado ao mercado internacional; em outros, há defasagens para cima ou para baixo.
Onde a paridade pesa mais — e onde pesa menos
O impacto varia conforme o produto:
- **Diesel**: mais sensível à paridade, por depender mais de importação em alguns momentos. - **Gasolina**: sofre influência, mas a produção local e o etanol amortecem parte das oscilações. - **GLP**: logística e regionalização costumam pesar tanto quanto a referência externa.
Ler a paridade como um termômetro — e não como uma sentença — ajuda a entender por que o preço muda, quando muda e por que às vezes não muda.
